Teoria Geral da Falta de Reputação/Credibilidade da Fada dos Dentes
No vasto mundo das criaturas de fantasia do imaginário infantil (frase gira, não?) há uma que, sem dúvida, precisa de contratar uma firma de relações públicas. Se pensarmos um pouco, é fácil reparar que seres como o Pai Natal ou o Coelho da Páscoa perduram durante bastante tempo. Muitos putos passam anos com a dúvida cruel – será que o Pai Natal existe? Mesmo quando algum amigo mais esclarecido lhes revela que o rio de prendas que aparece misteriosamente em volta da árvore iluminada lá para o fim de Dezembro não é mais que uma manobra engenhosa dos seus progenitores, a maioria das crianças ainda fica com a incerteza durante mais algum tempo, até ao Natal em que vê algum tio, já meio ébrio, vestir-se de vermelho na cozinha. No entanto, a chamada Fada dos Dentes não dura nada. Há qualquer coisas que nos leva, imediatamente, a pensar – meu Deus, que tanga enorme..., mesmo que alinhemos na brincadeira para ganhar uma moedinha em troca de uma peça do corpo já inutilizável. Sem muito para fazer, fiz uma breve e ligeira reflexão sobre o porquê deste fracasso histórico.
Uma razão lógica será o paupérrimo nome que o infeliz inventou para esta personagem. “Fada dos Dentes” é, sem dúvida, miserável. Se ainda tivesse adoptado “Fada das Moedas”, talvez tivesse pegado.
Outra razão é a clara falta de suporte visual. Enquanto qualquer pessoa no mundo sabe que o Pai Natal é um velhote barrigudo, vestido de vermelho e com a barba por fazer, ninguém sabe descrever esta nossa figura. Talvez tivesse sido inteligente espalhar por aí algumas ilustrações, assim de uma Fada gira e em decotes badalhocos, mas com a bondade estampada no focinho, de modo a apelar a miudos e graúdos. A falta de uma representação identificável por todos leva a que as pessoas tenham imagens sinistras. Aliás, eu pessoalmente sempre associei a Fada dos Dentes a uma figura feia e com os dentes podres – daí ter desenvolvido esse fetiche sinistro pelas dentuças. Esta imagem pode também ter sido causada por uma horrenda vizinha que tinha na infância.
Outro motivo lógico é a tão tremenda falsidade naquela generosidade aparente. Não me lixem, os dentes postiços estão pela hora da morte e uma moedinha de 50 cêntimos por cada balázio é um negócio da China para este ser misterioso. Pessoalmente acho que é um investimento sólido, já que acredito que ela vá vender os dentes “adquiridos” a alguma empresa dentária do norte da Europa.
Acho que também teria feito bem um dia especifico por ano (com sorte, a tornar-se feriado) para capitalizar monetariamente a coisa. Assim qualquer coisa na zona de Setembro ou começo de Outubro seria interessante. Podiamos vender dentes de plástico, bolos em forma de dente, leite especial de Dia da fada dos Dentes e muitos outros produtos de merchandising.
Ah, e um filme! Um filme com alguma actriz da A-List, uma Nicole Kidman ou assim no papel da Fada e algum vilão interessante protagonizado por alguém como Kevin Spacey. Pessoalmente sugiro o Tim Burton para realizar a coisa. O lançamento do filme deveria coincidir com a já sugerida ideia do dia da Fada.
Acho que com estas sugestões seria possível elevar a desgraçada Fada dos Dentes ao estatuto que estas figuras imaginárias merecem e com alguma sorte extender durante mais alguns anos o seu período de credibilidade

1 Comments:
Muito bom, muito bom - gostei da evolução da decadência nas tuas sugestões de relações públicas. E todo o conceito de a Fada dos Dentes não ser conhecida por más relações Públicas tá brutal.
PS: não te esqueças de pôr os outros dois que já estavam escritos - eram bacanos.
January 4, 2005 at 2:01 PM
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