Tuesday, April 12, 2005

A Besta dos Portões

Era uma vez um reino encantado em que tudo era belo. O sol brilhava como se nunca deixasse de ser meio-dia e os cantos de mil pássaros tornavam todos os dias um concerto primaveril de paz e serenidade. Podia-se mesmo dizer que se tratava de um paraíso na terra... se exceptuarmos a caca de pássaro por todo o lado. É que sabem, o pombo também é um pássaro. Tal como um francês também é um terrestre – ninguém gosta, mas o que se há-de fazer?
Mas o reino encantado estava triste, e não só pela caca de pássaro. É que o Rei, normalmente um ancião bonacheirão e generoso para com os seus súbditos andava deprimido e reagia a essa depressão como qualquer um de nós reagiria – executando cerca de 10 súbditos por dia tanto por razões irrisórias como por delitos mais graves como porem maionese no hamburger depois de ele ter repetidamente pedido para não o fazerem. A única coisa que se mantinha como de costume eram as execuções sumárias de qualquer pessoa que se tornasse um mimo – tal como eu disse, isto era mesmo um paraíso! À excepção da caca de pombo.
As coisas pareciam ir de mal a pior no reino até que, num dia carregado de misticismo (ou de um cheiro sufocante a ratazanas podres – era o Dia Nacional da Feijoada e era difícil distinguir), chegou um cavaleiro todo de branco montado num cavalo imponente, também ele de uma alvura celestial que causava inveja aos anjos no céu. E o misterioso Cavaleiro Branco subiu as escadas do palácio e, num gesto imperioso, colocou as mãos sobre as ancas e preparou-se para revelar a todos a sua identidade e assegurar-lhes que as suas angústias seriam, em breve, apaziguadas. E foi então que um bando de mais de 20 pombos decidiu largar a sua versão bem pessoal da bomba de Hiroshima sobre a reluzente armadura do Cavaleiro Branco, destabilizando-o e fazendo-o cair, rebolando pelas escadas do palácio abaixo num trovão ensurdecedor de metal e granito.
E os camponeses, procurando manter, se não a sua nutrição, pelo menos a sua audição, decidiram que se calhar certas coisas é melhor permanecerem um mistério.
E o Cavaleiro Branco, desistindo de uma entrada gloriosa para optar por uma simples entrada, voltou a subir as escadas, com o escudo de aço platinado sobre a sua cabeça, e entrou nos salões do palácio, onde o esperava o Rei e a sua Rainha, ambos visivelmente desgostosos.
- Rei Asdrúbal – disse o Cavaleiro Branco, ajoelhando-se perante o trono do Rei – corre a notícia nas planícies abandonadas que o reino encantado está angustiado por uma qualquer ferida que não ousa contar. Venho oferecer a minha espada para qualquer que seja a missão que me queria incumbir. O meu único desejo é devolver a paz ao seu reino.
- O teu coração é generoso e a tua alma pura, Cavaleiro Branco, mas temo que não chegue para resolver o nosso problema. É que a nossa filha foi raptada… pela Besta dos Portões!
Ouviram-se suspiros horrorizados no salão do palácio, o que foi algo bizarro dado que não havia mais ninguém lá dentro.
- Você disse… a Besta dos Portões?
- Sim. A Besta dos Portões!
- Que raio é a Besta dos Portões? – exclamou o Cavaleiro Branco, olhando para a câmara e fazendo uma careta à Malucos do Riso, o que foi ainda mais bizarro dado que esta história se passava nos tempos medievais, onde não existiam câmaras e os Malucos do Riso eram ainda apenas um método de tortura utilizando pelos Mutantes Existencialistas do Vale das Ameixas Podres.
- Ó pobre infeliz, que te atiras para o perigo munido apenas de uma espada suja de excremento pombal e um sentido de humor de primata!
- Diz-me onde está essa Besta dos Portões, e eu a eliminarei e lhe devolverei a sua filha, pela honra da minha família! Aponte-me o caminho dos Portões e deixe-me cumprir o meu destino, que eu não tenho assim tanto medo de água!
- O quê?
- Eu não nado muito bem, mas for preciso luto no cais e se tudo correr bem sem sequer molho um dedo do pé.
- Cais? Qual cais?
- Então não tinha dito que a Besta estava nos Portões?
E o Rei ficou triste ao aperceber-se de que o salvador da sua filha era um atrasado mental.
- A Besta não está nos portos.
- Não? Então ond…
- Era óbvio – interrompeu, já exasperado, o Rei – que eu quando me referi a portões me referia a gigantescos cálices de vinho espirituoso fabricado na zona do Douro!
E o leitor ficou triste ao aperceber-se do nível de piadas cretinas que ainda ia ter de aturar até ao final do conto.
E aconteceu então algo de extraordinário: a Rainha, que ainda não havia proferido uma palavra desde a chegada do Cavaleiro Branco – o que não era de estranhar pois Hermenegilda Doroteia era conhecida como a Rainha Muda devido a nunca ninguém no reino a ter ouvido dizer o que quer que fosse (reza a lenda que as únicas palavras que alguma vez saíram dos seus lábios foram proferidas na noite da Imaculada Concepção da Princesa e tornaram-se um dos mais respeitados provérbios do reino – “Querido, não é bem aí…” – mas dizia eu, a Rainha levantou-se e começou a abrir a boca para dizer algo… Foi então que o seu estômago que revoltou, conteve um arroto e caiu redonda no chão. E assim morreu Dona Hermenegilda Doroteia, mãe da Princesa Desaparecida.
O Cavaleiro Branco propôs ajudar o Rei a tratar da Rainha mas este respondeu que não era tempo para festas e enviou-o na sua missão. E assim começou a viagem do Cavaleiro. Rumo aos Portões. Rumo à Besta…
Passados três dias de muito sol e ainda mais fezes ornitológicas, o Cavaleiro Branco chegou aos três enormes cálices que formavam o lar da Besta e, desembainhando a espada, penetrou na escuridão…
Foi então que viu, bem no centro do triângulo que os cálices formavam, uma bela jovem a cantar. O Cavaleiro aproximou-se, como que hipnotizado, e perguntou:
- É você, formosa mulher, a Princesa Desaparecida?
- Sim, sou eu, meu salvador! – exclamou a Princesa, lançando-se nos braços do seu amado, num beijo apaixonado e eterno…
- Princesa, não podemos perder tempo. Onde está a Besta dos Portões?
- Besta? Qual Besta? Isso é uma piadinha ao meu corpo?! Estás-me a chamar de gorda é?!! Como é que tens o desplante de me chamar gorda?!!! Ou essa Besta é outra que andas a comer nas minhas costas? Seu canalha!! Como é que podes fazer isto?! Vai-te embora, eu nem gosto de ti!!! Não! Fica!!! Vai!! Ai que não sei o que pensar!!!...
É que sabem meninos e meninas? Durante certos dias do mês, todas as mulheres passam por um processo… especial, em que o melhor a fazer é fechá-las numa masmorra e rezar pelo doce alívio da morte. Ora, passando-se esta história nos tempos medievais, tal comportamento não tinha ainda qualquer espécie de explicação científica, tendo o Rei Asdrúbal dado a esta outra personalidade da sua filha o nome de Besta dos Portões.
Tendo resolvido o incrivelmente complexo e nada idiota mistério da Besta dos Portões, o Cavaleiro Branco sentou a Princesa atrás de si no seu cavalo e começou a fazer contas ao que ia ter de hipotecar para pagar o casamento, enquanto a Princesa Reaparecida se queixava de eles já não terem conversas profundas como antes.
E viveram felizes para sempre.

E pergunta o leitor: “Felizes para sempre, como?” A resposta está na última frase do 23º parágrafo.

Wednesday, March 30, 2005

A Grande Lista das Pequenas Invenções Medianamente Interessantes e Mais ou Menos falhadas

Olá e bem-vindos ao Top10 das invenções de grandes mentes científicas da história da humanidade, provenientes de todos os cantos do mundo e também de Algés, que apesar do seu enorme potencial, tiveram algum azar e mau markting e cairam no esquecimento e desgraça. Orgulhamo-nos de as recuperar e de vos apresentar estas pequenas maravilhas.

10 - Em 1993, um cientista do Djibouti inventou uma pequena bateria electrica que seria capaz de fazer uma espécie de "ignição" ao coração, podendo assim ressuscitar praticamente qualquer pessoa, desde que não tivesse comido bróculos na madrugada do falecimento. No entanto, e apesar da taxa de 73% de sucesso que o aparelho vinha obtendo nos primeiros 3 dias de testes, o Rei do Djibouti mandou parar a pesquisa e assassinou Khalan Radan (como devem ter advinhado, o porteiro de Radan Khalan, o referido cientista), alegadamente porque os reanimados vinham com uma grande tendência para fazer batota no poker, o que resultou na perda de 5 esposas (incluindo Matita, 14ª preferida do monarca) numa jogatana de sabado de madrugada.

9 - Um grupo de pesquisadores da Universidade do Michigão projectou um aparelho tradutor portátil, bastante semelhante a outros existentes no mercado. Entendor de cerca de 1000 linguas oficiais e dialectos e cerca de 600.000 palavras e expressões idiomáticas precisas EM CADA UM DOS IDIOMAS, o TradutexOneThousandMegaMax parecia bom de mais para ser verdade - e era. O problema deste projecto era simples - numa fase crucial do seu desenvolvimento, os universitários beberam demais numa noite (como em todas as noites) e, sem razão aparente, estipularam Zrgnizvey (do polaco) como o sinónimo inglês de Lumberjack (lenhador), quando em polaco lumberjack se diz Vienazkiev (ou, informalmente Lopia). Este pequeno erro irritou de sobremaneira o líder do projecto - Dr. Francis Languagues que abateu todos os universitários e linguistas do estado do Michigão, deixando apenas os estudantes de linguística. Crê-se que um protótipo esteja actualmente nas mãos de um grupo terrorista libanês, que terá traduzido o verso de uma embalagem de cereais da Síria, de modo a entender o jogo de dados que acompanhava o pequeno saudável com chocolate.

8 - António Ferreira Alves Loureto, indíviduo do Sabugal que prefere permanecer anónimo, afirma ter inventado um interessante aparelho electrónico capaz de atribui um código a qualquer objecto possuído pelo dono, de modo a encontrá-lo em qualquer situação via GPS e sinais luminosos ou sonoros. Assim, se sabemos que temos as chaves, os óculos, um garfo ou o documento original da Declaração Universal dos Direitos Humanos mas não sabemos exactamente onde os deixamos, podemos recorrer a esta maravilha, de modo muito semelhante aquelas situações em que não sabemos do telemóvel e pedimos a algum amigo para telefonar para lá (nunca percebi porquê, já que me parece óbvio que se não sabemos do dito cujo não o podemos atender, mas adiante). Uma invenção que certamente renderia milhões ao seu jovem inventor (António tinha apenas 20 anos quando o desenvolveu) acabou por desmoronar. Diz quem sabe (neste caso, digo eu, que sei) que tudo começou quando a esposa/prima/secretária/amante/sobrinha/madrinha/motorista (não é escolha multipla, é mesmo cumulativo) não conseguiu encontrar o aparelho quando precisava de encontrar uma camisola lilás muito bonita que tinha comprado em saldos. Nunca mais foi achado.

7 - Em meados de dia 29 de Maio de 1234, um druída celta relata no seu livro "Relatos de um Druida Celta" ter inventado aquela que se pode considerar a primeira Playstation da humanidade. Em termos de processador gráfico, o aparelho estava algures entre a playstation original da Sony e a PS2. Tinha também um repertório de jogos na casa das centenas - meia centena, neste caso. Capacidade para até 4 jogadores e cartão de memória de 128 MB, a PlayDruida, como era conhecida na altura, falhou porque na altura não havia electricidade nem haveria nos próximos largos séculos. Ainda se tentou fazer aquilo correr a força eólica, hidráulica e mesmo através da energia gerada pela flatulência dos locais, mas nada disto resultou. Um pretenso descentente do Druida colocou recentemente a Sony em tribunal, alegando que o gigante japonês não pagou a lavagem de umas calças sujas de calda de caramelo ao seu tetra-tetra-tetra-mega-tetra-super-tetra avô. A empresa nipónica, por seu turno, afirma que o Druida era , e cito, "um labrego barbudo que não consegui comer um sundae de caramelo sem sujar as calças ou a roupa interior".

6 - O chileno Andrés Saliente Carmiño inventou, em meados do século XIX, um "ovo flutuante". Pouco se sabe sobre este projecto, mal documentado na caligrafia miserável de Carmiño. Consta, no entando, que a sua filha achou bastante piada quando viu um ovo a flutuar a cerca de um metro do chão, embora ninguém na familía e arredores soubesse para que diabo se utilizaria um ovo flutuante. Talvez por isso o sul-americano tenha abandonado o projecto, dedicando-se a partir daí a inspeccionar as datas de validade dos extintores dos edificios e centros comerciais locais.

5 - Alguém, não se sabe bem onde, quando ou mesmo porquê, afirma ter desenvolvido um par de "óculos inteligentes", capazes de ajustar automaticamente a graduação do seu utilizador. O projecto falhou por diversos motivos - o primeiro, e talvez mais óbvio, foi o facto de os grandes oftalmologistas da época (e curiosamente, também um pasteleiro, mas por engano) terem mandado um publicitário assassinar o inventor. Aparte deste pormenor, o projecto estava já condenado ao fracasso, visto que cada vez que o utilizador espirasse, os óculos automaticamente dizerem santinho, um toque de boa educação que irritaria os não-crentes e os surdos (e os Curdos, no Iraque, mas por razões diferentes) - os curdos surdos não crentes, por outro lado, até achavam piada. O facto dos óculos só poderem ser utilizado por canhotos cerecas com problemas de dislexia também não ajudava o potencial do aparelho.

4 - Um monge nepalês (e ao super-herói nas noites de Budapeste) é considerado responsável pela carroça movida a centopeias. O projecto acabou por ser adoptado pelo governo da Swazilândia, que criou um fundo nacional de apoio à criação de centopeias (paralelamente, desenvolveu um fundo de apoio à construção de edificios 100% liláses, embora não esteja relacionado. - Especulou-se um fundo de apoio à criação de centopeias liláses, mas a oposição vetou o projecto). Embora parece que tudo corria bem, as cerca de mil e trezentas centopeias necessárias para andar metro e meio com a carroça revelaram-se demasiado e o projecto ficou por aqui. O mesmo monge, já depois de naturalizado jamaicano tentou fazer carroças movidas a formigas mas não conseguia evitar a tentação de as pisar sempre que encontrava uma, o que lhe valeu porém um diploma especial da sociedade dos monges pisadores de formigas.

3 - Abdul Mossafi, da vila de Kasahara, nas imediações da Arábia, inventou o que poderia ter ficado conhecido como "o medidor da dor" - um aparelho que media através de uma escala própria a gravidade e agudez das dores sofridas por homens e animais. Este instrumento seria perfeito para aqueles debates normais do género - "ah, este corte no meu dedo dói muito mais que esse tiro que levaste na coxa - ah não dói não, o meu dói muito mais". O problema foi que toda a vila foi progressivamente aniquilida devido à competitividade dos locais em saber quem aguentava mais dor. Mutilações auto-inflingidas sucessivas levaram à mortandade de 99.8% da população da pacata vila. O único sobrevivente, o criador do aparelho, teve o enorme azar de ter ficado com diarreia explosiva e acabou por falecer de causas misteriosas.

2 - Na Austrália foi, ainda no século XX, inventado um quarto talher, em adição aos já conhecidos, faca, garfo e colher. Num trabalho profundo de pesquisa, Jonas Wakeup desenvolveu o que chamou de "crambadilha", um utensílio mais ou menos prático que permitia ao seu utilizador aquecer ou refriar pedaços especificos da sua refeição conforme entendesse, num mecanismo parecido ao de um isqueiro potente. Além disto, o "crambadilha" também tinha a capacidade de tornar a comida mais saborosa e nutritiva, através de um doseador de nutrientes, vitaminas, sal e açucar. Porém, este invento caiu em mãos erradas e um famoso badocha local, Marcus FruityLoopy, que numa refeição mais animada parece ter engolido de um só trago o único exemplar do aparelho. Assim que o "crambadilha" chegou ao seu estômago, Marcus levantou-se e começou a recitar um poema de T.S Elliot. Acabado o recital, Marcus pegou nas chaves do seu carro e comeu-as também, exclamando "bolas, que hoje não me calha nada de doce, onde está o Janus? (o seu gato, também ele um badocha de primeira).

1 - Na China comunista um grupo de individuos de nomes e faces semelhantes desenvolveu um trampolim supersónico. Com ele, pessoas poderiam saltar e chegar a alturas de 200 metros! O potencial era enorme e o projecto foi amplamente financiado pelas salas de urgência de Pequim e arredores. Durante quase 10 anos, centenas de milhares de chineses (tecnicamente, podia ser um que o fez por diversas vezes, é díficil distingui-los...) saltaram no MegaPolim, que só não foi conhecido no resto do mundo porque o governo comunista chinês estava decidido a guardar segredo e encontrar um bom uso militar e político para o trampolim. A coisa deu para o torto no dia em que Mao Tse Tung decidiu que também queria "brincar aos pulinhos", como revela o seu fiel lacaio, Chang. Mao deu dois saltinhos iniciais e chegou aos 80 metros. Quando estava no salto que o levaria aos duzentos metros, sentiu-se mal da barriga e em pleno ponto dos 211 metros (record da semana, refira-se) Mao não se conteve e as suas fezes voaram num diametro total de cerca de 5 kilómetros. O trampolim foi imediatamente destruído e todos os atingidos pela bosta tiveram direito a um bónus de 10 minutos de férias até ao final do ano.

Saturday, January 29, 2005

Viagem pelo submundo do cabo

Pa, escrevi este texto pro blog de uma amiga minha e acho que ficou porreirito. Com algumas alterações talvez pudesse ir para o livro, ve la o que achas


Apanhada num momento ébrio depois de uma festa que deu para o torto, ou talvez devido ao surto de gonorreia que tem assaltado o sul do Suriname, Catarina cedeu finalmente e concordou em deixar-me escrever umas linhas neste magnífico blog, após pedidos insistentes de parte a parte, mas curiosamente nunca concedidos em simultaneo.
Como não tenho um tema em mente, nem me foi orientado um pela administração deste lugarejo sombrio e mal iluminado, embora estranhamente fashion, escreverei sobre uma das minhas temáticas de eleição - o nada e o tudo o que lhe está associado. Não vou datilografrar sobre o "nada" propriamente dito mas antes sobre uma série de coisas que não são nada nem têm nada a ver umas com as outras. Pode parecer confuso, ou não, depende se estão ou não a perceber a minha ideia, para mim é simples. Aos resistentes que acompanham o meu nublado e perturbado raciocínio até este ponto, os parabéns (e desejos de feliz Páscoa e Hanukah). Queria aproveitar esta oportunidade para expressar o meu pesar pelo encerramento do canal Sol Música (sim, acredito que muitos de vocês com as suas vidas atarefadas e cheias de afazeres nem tenham dado pelo facto, mas eu, como ocioso convicto e espectador atento de TV, dei) e, consequentemente o final das mensagens criativas enviadas por um sem número de labregos. Perde-se assim um verdadeiro caldeirão de ideias vencedoras e oportunidades do português jovem se expressar perante um público extenso. Mas na vida devemos sempre olhar o lado positivo e esse é que, com a diminuição da oferta de canais de música na grelha da TV Cabo, o canal francês MCM deverá aumentar a audiência, o que significa que muito mais gente estará sintonizada na vasta oferta de seis video-clipes que constam do repertório dos francófonos. Always look at the bright side of life, já diziam os Monty Pytons! Mantendo-me na crítica televisiva e atentando ainda à já referida grelha de canais de música, eis que me deparo com a MTV, Music Television, que por sinal cada vez passa menos música e dedica mais do seu tempo a um impressionante leque de ideias ligeiramente retardadas para humilhar para sempre jovens de ambos os sexos em séries que nos proporcionam cenas de engates, quebras de corações, tampas e piadas nada subtis. Continuo o meu zapping intensivo feito às duas e picos da matina e paro, como sempre, no genial canal de televendas. Neste momento estão a tentar impingir-me uma quantidade aburda de panelas, frigideiras, tampas, tachos, formas e sabe-se lá mais o que, tudo isto Mágico! Nem interessa qual é o produto do momento, acontece que não há vez que não sinta uma vontade incrível de comprar a porcaria que estão a negociar. E ainda por cima é sempre tudo tão mais barato do que era inicialmente! Numa nota mesmo séria, porque a merece mesmo, o AXN está a passar agora, embora também o faça em horários francamente acertados, a excelente série de política West Wing, que aconselho a todos. Para não ficar deprimido nem vou referir o que os nossos canais abertos reservaram para o seu fiél público para esta hora (não que seja particularmente melhor ou pior que nas outras horas. A Sic Mulher emite o programa da Oprah, que, se adicionarmos o programa da Ana Marques, perfaz cerca de 175% da grelha do canal. SMS TV... enfim, está a dar o programa de chat que me faz pensar o quão demente é aquela gente que gasta dinheiro assim e que depois me faz lembrar que existe liberdade de expressão no país e, portanto, não tenho nada a ver com isso. Depois há o excelente Mezzo, que se mantém estoicamente na grelha da TV Cabo, por mais mudanças e alterações que eles façam. Gostava de vos poder transmitir o que diabo se passa ali, mas a verdade é que não sei bem. Assim por alto, diria que é uma representação de dança pós-moderna com influencia egipcías, mas posso estar enganado. A RTL faz chegar ao conforto do meu quarto as actualidades germânicas, com especial destaque para algo que se tenha passado no parlamento, suponho. Não creio, porém, que seja grave, visto ninguém estar demasiado agitado, apenas uma troca amigável (tanto quanto o povo o permite de natureza) de palavras (também podem ser frases, é complicado precisar). Os canais codificados estão no seu rol habitual de filmes, pornografia e filmes de pornografia. A TVE escolheu as 2:23 horas da manhã, mais uma lá, para nos apresentar a sua telenovela, cujo nome não sei, nem quero saber. A trama é obviamente complexa. Algo de muito errado aconteceu a Susana, já que os dois polícias que discutem numa mesa de café não sabem o seu paradeiro. Falam de um número elevado de pesetas, o que nos revela duas coisas - deve ter sido raptada e este será o resgate e,mais importante, esta porra já é velha - o euro já cá está há anos. Desisto dos espanhóis e sigo heroicamente. Próxima paragem - Canal Panda. Até me sentia na disposição de ver algum desenho animado mas os reponsáveis não previram o meu caso nem de algum puto de 6 anos que tenha passado a noite a vomitar, ou que simplesmente tenha insónias, e não está a emitir nada neste momento... Passo então pela Sic Comédia e alegro-me por ver que estão a repetir o Jay Leno. Decido-me então a ficar por aqui e abandonar o meu posto de vigia. Tenho sérias dúvidas que alguém tenha chegado a ler até aqui, mas para a eventualidade de alguém o ter conseguido, esperam que tenham gostado desta pequena aventura pelas profundezas da televisão por cabo. Eduardo Cintra Torres que te cuides, os teus dias estão contados.
Tenho aqui de pedir desculpas, parece que encontrei um fio condutor para o post, caindo por terra a ideia original de ser apenas uma colectânea de pensamentos disconexos. Mas vão-se lixar que quem manda sou eu! [Neste post particular, não pensei que estou a planear um coup d'etat 8estará bem escrito?) ou um hostil takeover ao belíssimo blog da Catarina.
Pedro Silva, ainda sem saber porque o convidaram para escrever aqui, mas grato na mesma.

Thursday, January 06, 2005

Dias da Semana

Para começar, um esclarecimento. Sou um tipo com objectivos. Não muitos, mas alguns. E giros, na sua maioria. Pelo menos, assim o considero. Uma das coisas que gostaria de fazer até morrer, ou, o mais tardar, até ao fim do mês seguinte, é inventar um dia da semana.

Ainda não sei se gostaria de um dia de trabalho ou um mais do tipo “papo para o ar”. Sempre me irritou bastante o monopólio dos dias de labuta por parte dos tipos das feiras. Nem se trabalha assim tanto nas feiras.E, vendo bem, os infelizes nem sabem contar, já que começam a contar no 2, patético na minha opinião.

Mais laboral ou mais do ócio, gostava que o dia fosse, assumidamente, o primeiro ou último da semana., para acabar de vez com a confusão parva e as eternas discussões sobre se a semana começa no domingo ou na segunda.

Não tenho ainda um nome fixe, algo que fosse uma lufada de ar fresco no poeirento mundo da nomenclatura calendoral, pelo que “mofo”, nome que me ocorreu, iria um pouco contra este conceito. No seguimento da ideia de demarcar o pontapé de saída ou apito final da semana, pensei em, muito simplesmente, “fim” como nome possível. Este hipótese tem ainda o potencial giro de as pessoas se referirem a ele como “o dia do fim”, que é muito parecido com o título de um filme do Schwarzenegger em que ele mata muitos bandidos, o que, convenhamos, é sempre muito catita para um dia da semana. (Sexta-Feira 13 também é um filme onde morrem gajos aos pontapés e é óbvio que é um, senão “o”, dia preferido de muita gente.)

Também cheguei a pensar dar o meu próprio nome ao dia, o que me garantiria um lugar na história, já que para sempre ele ressoaria nos calendários de todos. No entanto, e pensando a curto prazo, como normalmente o faço (o que me lembra que tenho mesmo que ir à casa de banho), acho que seria uma ideia propensa a chatices. Para começar, temo que me fartaria do próprio nome de tanto o ouvir, o que me obrigaria a ir ao tribunal muda-lo para Raimundo ou assim, e, convenhamos, os tribunais nacionais estão uma desgraça. Além disso, teria de gramar com muita piadinha parva, sobretudo quando os meus anos calharem no meu dia da semana... “Ah! Pedro! Já viste? Este ano fazes anos no Pedro!” Já tinhas visto? Ahahahahaha! Que demais! É Pedro no Pedro, percebes? Por calhar no dia Pedro!” e todos sabemos o quanto as pessoas são criativas e variadas neste tipo de humor. Recuso-me. Só de me lembrar quando o camelo do cozinheiro decidiu babar para uma taça e vender como sobremesa e o rol de gracejos cretinos que se têm de gramar sempre que alguém pede o dito doce, dá-me arrepios. Não, não o vou permitir. Antes chamar o dia de Asdrubal do que aturar tais piadas.

Claro que o nome não é o único problema, aliás, nem é o maior. Sim, não sou louco, tenho alguma consciência que implemantar um dia da semana deve ser uma coisa complicada. Por exemplo, com quem diabo falamos? Haverá um Ministério Oficial dos Dias da Semana? Será um departamento nalgum outro ministério? Talvez directamente com o Presidente da República. Creio que será melhor começar a nível nacional e, quando o resto do mundo notar o retumbante sucesso, a internacionalização será um processo rápido e expedito.

É também bem possível que fique podre de rico, embora não seja isso que me mova. Mas é claro que o potencial comercial da coisa é fascinante. Operadores de televisão, por exemplo, ficarão radiantes. Do nada, terão disponível mais um dia inteiro de grelha para preencher e, portanto, de publicidade para explorar. Outra fonte de dinheiro fresco será o boom inevitável da venda de calendários e agendas, já que todas as existentes estarão, instantaneamente, obsoletas e inúteis.

Também as pessoas ficarão com a ilusão que têm um dia extra e, portanto, mais tempo. Claro que isto não é verdade, já que esta adição não significa uma mexida no eixo tempo-espaço, o que poderia causar a implosão do universo, o que, parecendo que não, é chato.

Tuesday, January 04, 2005

Teoria Geral da Falta de Reputação/Credibilidade da Fada dos Dentes

No vasto mundo das criaturas de fantasia do imaginário infantil (frase gira, não?) há uma que, sem dúvida, precisa de contratar uma firma de relações públicas. Se pensarmos um pouco, é fácil reparar que seres como o Pai Natal ou o Coelho da Páscoa perduram durante bastante tempo. Muitos putos passam anos com a dúvida cruel – será que o Pai Natal existe? Mesmo quando algum amigo mais esclarecido lhes revela que o rio de prendas que aparece misteriosamente em volta da árvore iluminada lá para o fim de Dezembro não é mais que uma manobra engenhosa dos seus progenitores, a maioria das crianças ainda fica com a incerteza durante mais algum tempo, até ao Natal em que vê algum tio, já meio ébrio, vestir-se de vermelho na cozinha. No entanto, a chamada Fada dos Dentes não dura nada. Há qualquer coisas que nos leva, imediatamente, a pensar – meu Deus, que tanga enorme..., mesmo que alinhemos na brincadeira para ganhar uma moedinha em troca de uma peça do corpo já inutilizável. Sem muito para fazer, fiz uma breve e ligeira reflexão sobre o porquê deste fracasso histórico.

Uma razão lógica será o paupérrimo nome que o infeliz inventou para esta personagem. “Fada dos Dentes” é, sem dúvida, miserável. Se ainda tivesse adoptado “Fada das Moedas”, talvez tivesse pegado.

Outra razão é a clara falta de suporte visual. Enquanto qualquer pessoa no mundo sabe que o Pai Natal é um velhote barrigudo, vestido de vermelho e com a barba por fazer, ninguém sabe descrever esta nossa figura. Talvez tivesse sido inteligente espalhar por aí algumas ilustrações, assim de uma Fada gira e em decotes badalhocos, mas com a bondade estampada no focinho, de modo a apelar a miudos e graúdos. A falta de uma representação identificável por todos leva a que as pessoas tenham imagens sinistras. Aliás, eu pessoalmente sempre associei a Fada dos Dentes a uma figura feia e com os dentes podres – daí ter desenvolvido esse fetiche sinistro pelas dentuças. Esta imagem pode também ter sido causada por uma horrenda vizinha que tinha na infância.

Outro motivo lógico é a tão tremenda falsidade naquela generosidade aparente. Não me lixem, os dentes postiços estão pela hora da morte e uma moedinha de 50 cêntimos por cada balázio é um negócio da China para este ser misterioso. Pessoalmente acho que é um investimento sólido, já que acredito que ela vá vender os dentes “adquiridos” a alguma empresa dentária do norte da Europa.

Acho que também teria feito bem um dia especifico por ano (com sorte, a tornar-se feriado) para capitalizar monetariamente a coisa. Assim qualquer coisa na zona de Setembro ou começo de Outubro seria interessante. Podiamos vender dentes de plástico, bolos em forma de dente, leite especial de Dia da fada dos Dentes e muitos outros produtos de merchandising.

Ah, e um filme! Um filme com alguma actriz da A-List, uma Nicole Kidman ou assim no papel da Fada e algum vilão interessante protagonizado por alguém como Kevin Spacey. Pessoalmente sugiro o Tim Burton para realizar a coisa. O lançamento do filme deveria coincidir com a já sugerida ideia do dia da Fada.

Acho que com estas sugestões seria possível elevar a desgraçada Fada dos Dentes ao estatuto que estas figuras imaginárias merecem e com alguma sorte extender durante mais alguns anos o seu período de credibilidade

Hino à Alegria

Hino à Alegria – versão revista e adaptada ao novo milénio

Não seria tão bom que algumas pessoas simplesmente entrassem em combustão espontânea? E não, não estou a falar de nenhuma imagem assim cómica de uma pessoa a ficar com um braço envolto em chamas por se aproximar demasiado de uma vela ou do Kenny do South Park a acender um peido com um isqueiro e morrer. Estou mesmo a falar de regar pessoas com um bidão inteiro de gasolina e depois oferecer-me para lhes acender o cigarro.
E não seria igualmente brutal se, pelo menos uma vez na vida, pudéssemos concretizar todas aquelas coisas cruéis e deliciosamente imaginativas que imaginamos acontecer aos outros? Acreditem que iríamos ver muito mais bigornas a cair em cima das cabeças das pessoas.
Ou pagar a uma pessoa, é isso!, pagar a uma pessoa para seguir alguém de quem não gostemos durante todo o dia e, de vez em quando, nas alturas mais inesperadas e inconvenientes, saltar de trás de um arbusto, pregar-lhe com um tremendo calduço e fugir a correr aos saltinhos e gritinhos histéricos.
Também gostava de conseguir a lista de telefones do telemóvel daquela rapariga mesmo gira que, mais do que nos ignorar, riu-se de nós sequer pensarmos que tínhamos alguma hipótese, sacar-lhe o número de telefone de casa, esperar que o pai atendesse e dizer: “Tou, é da casa da Tonicha Maria?” “Sim, fala o pai dela” “Ok. Podia só perguntar à sua filha quanto lhe devo pelo bico de ontem à noite?”
Também acho que uma solução para muitos dos problemas que nós temos na nossa vida social seria a possibilidade de viajar no tempo. Muita gente imagina usos muito grandiosos para as viagens temporais (ver as pirâmides a ser construídas, viver na Grécia dos filósofos, espreitar para o futuro daqui a mil anos) mas eu não – o meu uso para as viagens no tempo seria muito mais egoísta. Eu gostava de poder viajar atrás um minuto no tempo sempre que eu quisesse. Era tão bom! Imaginem a situação: estamos a discutir com uma pessoa, e ela está-nos mesmo a irritar, e nós tentamos argumentar, mas ela não nos deixa falar, e nós dizemos que ela tem razão só para ela parar de nos chatear, mas ela persiste, e já não dá mais para aguentar... e vocês sacam duma caçadeira, rebentam-lhe com a cara e berram: O QUÊ? QUERES ALGUMA COISA?! O QUE É QUE DISSESTE?! QUERES DIZER ALGUMA COISA CARALHO?!!!!!! E depois voltam atrás um minuto no tempo e: "Desculpa? Estavas a dizer?"
Mas tenho estado aqui a falar só de coisas positivas e acho que chegou a altura de falar de algo que me chateia. Pronto, pronto, eu sei. Isto até agora tem sido tão positivo e mudar assim de assunto é um pouco anti-climático – e para além do mais isto é o “Hino à Alegria”. Mas tem de ser. Há coisas que têm de ser ditas. Há certas injustiças que têm de ser reclamadas – tais como não haver a possibilidade de implodir a cara do Pinto da Costa com um comando remoto.
Mas chega de suspense, vou-vos dizer aquilo que me aflige. Não falo aqui de uma mera trivialidade – falo de um dos maiores flagelos da sociedade contemporânea. A única raça da humanidade que alguma vez justificou a aplicação de uma “limpeza étnica” a nível global. Sim, senhores e senhoras, penso que já todos percebemos de quem estou a falar. Estou a falar, claro, dos mimos.
Eu ODEIO MIMOS! Meu Deus, como eu odeio mimos! Duas das minhas memórias cinéfilas favoritas: longa diatribe anti-mimos de Billy Cristal no filme "O Dia do Pai" – aconselho a todos que não percam esse momento divinal; e, acima de tudo, "Die Hard with a vengeance" – Bruce Willis guia um táxi pelo meio do Central Park com um Samuel L. Jackson apavorado ao seu lado. Este último pergunta: "Are you trying to hit these people?" ao que Willis responde "NO! Well... maybe that mime!"
A sério! Não consigo colocar bem em palavras o quanto eu detesto essa espécie de dejectos esquecidos do mundo das artes performativas de entretenimento. Bem, talvez assim: uma das minhas fantasias mais recorrentes é pegar num mimo qualquer da rua, partir-lhe os cotovelos de ambos os braços com um martelo e depois exclamar: “Vá! Oferece-me lá uma flor agora! Vá lá! Quero ver isso!”
Espero que não fiquem com uma ideia errada da minha personalidade. Eu acho que até sou um homem razoavelmente afável e amigo do seu amigo (diria mesmo que, não fosse o meu fetiche de fazer sexo com ovelhas com uma máscara de Veneza enquanto canto “porque o macaco gosta de banana, eu gosto de ti!” de José Cid, eu seria um modelo de perfeição civilizacional). E sou, acima de tudo, um pacifista. Mas o mimo transcende qualquer concepção moral ou ética. Ele é um absoluto. A irritação no seu estado mais puro. A todos os que compreendem e apoiam a minha luta não vos peço que me telefonem ou que façam qualquer contribuição monetária mas que dêem o primeiro passo para um mundo melhor. Se virem um mimo na rua empurrem-no, preguem-lhe uma rasteira. Se ele vos vier chatear, dêem-lhe um soco. Porque é nos pequenos gestos que começam as grandes mudanças. VIVA LA REVOLUCIÓN!!!

Monday, January 03, 2005

Se o homem fosse um M&M

Se o homem fosse um M&M
(ou o que Orwell teria escrito se em vez de ser um génio fosse um bêbado)


Se o homem fosse um M&M a expressão “sair da casca” teria todo um novo, e muito mais interessante, significado.

Se o homem fosse um M&M eu teria uma melhor desculpa para ficar excitado com aquele anúncio da M&M feminina com a casca a ser soprada para cima a la Marylin Monroe.

Se o homem fosse um M&M a Terra seria um Ferrero Rocher.

Se o homem fosse um M&M o surto de canibalismo que daí surgiria só poderia ser contrariado com a fomentação estruturada da diabetes.

Se o homem fosse um M&M o presidente seria um daqueles com a amêndoa por dentro – porque dos fracos não reza a história.

Se o homem fosse um M&M o destino da humanidade estaria nas mãos de um tóino atarracado que não conseguiria compreender o significado de “M” e “&” mesmo que estivessem estampados na sua barriga (esperem lá – acho que comecei a escrever no texto errado. Peço desculpa).

Se o homem fosse um M&M eu iria conseguir finalmente fazer com as mulheres se derretessem nas minhas mãos.

Se o homem fosse um M&M seria muito mais fácil distinguir os génios dos burros – os génios teriam, obviamente, “M&M” escrito na barriga.

Se o homem fosse um M&M haveria muito mais razões para se ser racista. Porque aí as diferenças deixariam de ser entre preto e branco, e todos esses cinzentos apastelados pelo meio, mas passariam a ser cores fortes como verde, amarelo e vermelho – pensem bem, que M&M verde pode ser, na verdade, tolerante para um M&M vermelho? Bem, e nem me façam começar a falar desses panascas dos M&M’s roxos!

Se o homem fosse um M&M as lambidelas afectuosas dos cães passariam a ser a nova forma de lepra.

Se o homem fosse um M&M as prostitutas seriam um Mon Chéri.

Se o homem fosse um M&M roer as unhas levaria constantemente à auto-mutilação.

Se o homem fosse um M&M passaria a ser extremamente complicado explicar às pessoas que elas têm chocolate nos dentes.

Se o homem fosse um M&M o vomitanço ressacado seria economicamente fomentado – nomeadamente para fazer aqueles bonbonzinhos de vodka mesmo bons.

Se o homem fosse um M&M isso causaria uma enorme revolução na indústria cinematográfica – por exemplo, “Casablanca” passaria a chamar-se “Galak Buttons”; a “Guerra das Estrelas” passaria a chamar-se “Guerra do Chocapic” (meu Deus – esta piada conseguiu ser ainda mais parva que a anterior… [autor abana a cabeça em auto-reprovação]– mas adiante); o Santo Graal procurado em “Indiana Jones e a Grande Cruzada” passaria a ser um pacote de Maltesers verdadeiramente cheio e sem aqueles esquisitos estragados, ocos por dentro; e “Chocolate” passaria a ser considerado pornografia.

E finalmente…

Se o homem fosse um M&M um deles haveria de, num rasgo de brilhante e fervorosa imaginação intelectual, conceber uma forma de governação que conseguisse conjugar as necessidades filosóficas e morais de liberdade de expressão e respeito mútuo e educação para todos com uma forma prática de as aplicar de modo a que a economia não caísse na sarjeta, ao mesmo tempo não impondo esta forma de governo noutras culturas a fim de evitar a homogeneização cultural que leva necessariamente a uma ideologia zombie e racista…
até se lembrar que não passava de um “M&M” e se limitaria a ser de chocolate e às cores.

Pronto, criei

Va, ja ca ta, agora é começar a meter as cenas